Crianças

O que jogos digitais podem fazer pela educação?



Os jogos digitais são elementos cada vez mais presentes no cotidiano e no imaginário das pessoas. Mesmo quando não estão sendo jogados, eles podem compor estampas de camisetas, servir de parâmetro para criação de filmes e peças publicitárias, ou inspirar a composição de músicas. Permeando espaços com diferentes funções, tornaram-se ainda grandes aliados para a execução de inúmeras tarefas. Enxergando esse fenômeno chamado “gamificação”, educadores têm buscado incorporar os jogos eletrônicos às salas de aulas. A ideia é empregar os games como um recurso interdisciplinar, que promova a construção de uma nova forma de aprender.

Entre os adeptos desse novo método de ensino está Francisco Tupy, professor de tecnologia educacional do colégio Visconde de Porto Seguro. Formado em geografia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o professor realiza pesquisa de doutorado na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP. Seus estudos abordam meios e processos audiovisuais com foco em videogames – a ideia é entender o percurso de construção dos jogos e como eles se relacionam com a educação.

De acordo com Francisco Tupy, o potencial dos games dentro do processo de instrução dos alunos é muito grande, pois os jogos, por si só, já envolvem um aprendizado, uma vez que para jogar é necessário entender a dinâmica e regras que os antecedem. “Os jogos são interessantes por natureza, através deles é possível despertar a curiosidade dos alunos e direcioná-los para novos caminhos do aprender”, afirma.

Além das aulas que acontecem em conjunto às demais disciplinas, o professor de tecnologia educacional também ministra uma oficina de games. O objetivo é se beneficiar do interesse natural dos alunos pelo tema para despertar novas aptidões e habilidades, como, por exemplo, o desenho, a pesquisa e o gerenciamento de informações. O projeto tem início com jogos analógicos e, conforme os alunos aprimoram seus trabalhos, chega-se às plataformas digitais.

Embora os alunos demonstrem grande euforia por estarem em contato com um tema com que têm afinidade, Tupy conta que há muitas diferenças entre jogar e construir um jogo. “É possível depreender um vasto conhecimento jogando, mas a elaboração do jogo requer atenção, dedicação e determinação”.

O professor garante que os games aproximam os alunos da sala de aula, mesmo quando o jogo não está presente fisicamente. “Para ensinar eu não preciso ter um videogame na minha sala de aula, eu posso simplesmente falar sobre o jogo ou mostrar um vídeo sobre ele. Isso é como se eu estivesse trazendo o mundo dos alunos para o mundo da escola”.

Fonte: USP / Joana Leal


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